sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Comportamento do expectador

Os brasileiros têm hábitos mal-educados que herdamos de muito tempo atrás. Claro que evoluímos com o passar dos anos, hoje somos mais civilizados do que anos atrás, mas ainda temos muito que fazer para se aproximar aos europeus. Desde a chegada de Dom João VI, temos melhorado nosso comportamento com a introdução de regras básicas de convivência. No livro 1808, de Laurentino Gomes, relata como foram os primeiros anos do monarca português em solo brasileiro, depois de fugir do Napoleão. Segundo o autor, o rei ficou assustado com a sujeira e os hábitos de cuspir nas ruas e de jogar as necessidades feitas em penicos pela janela, já que não havia saneamento básico. A proliferação de doenças era incrível. Então se começa uma catequização de hábitos básicos e etiqueta para uma convivência melhor entre a população. Fiz esta introdução para lembrar o que nós brasileiros já fizemos em uma cidade tão grande quanto o Rio de Janeiro em apenas 200 anos. Hoje temos comportamentos que são absurdos para povos mais cultos, mas que para nós são rotinas.

Nesta semana fui assistir a um filme em uma sala de cinema mais tarde vi uma peça de teatro, ambas na região da av.Paulista. Em ambas tiveram problemas que considero falta de educação entre expectadores que pagaram um ingresso para assistirem um trabalho artístico e não desejam serem incomodados.

No cinema, entramos na sala e fomos nos acomodando em poltronas da nossa escolha. Todos já estavam sentados aguardando o início da projeção e as luzes ainda estavam acesas para auxiliar aqueles que estivessem para chegar à sala. Estava acontecendo muita conversa alta entre amigos e namorados. Eu acho normal este comportamento, pois ficar parado sem fazer nada olhando pra frente sem nada passando na tela é um saco, então não custa nada conversar com o amigo do lado. Mas duas senhoras se incomodaram e ficaram fazendo “psiiiu” e pedindo pra fazerem silêncio. Um cara logo atrás delas pegou pilha e ficou irritado com elas dizendo que ele tinha o direito de falar o quanto quisesse, pois a sessão não tinha começado ainda. As velhas disseram que elas pagaram o ingresso e que tinham o direito de silêncio. E eles começaram a bater boca. Um terceiro cara do outro lado da sala mandou todo mundo calar a boca e eu dei uma risada alta, pois achei muito hilária a situação. Nesta hora começou a exibição dos trailers e todos se aquietaram. Neste ponto concordo com o cara. O filme ainda não tinha começado, então a regra de silêncio não se aplicava. Se eles continuassem a tagarelar durante a exibição do filme, ai eu daria razão para as mulheres.

Mais tarde fui ao teatro e quando as portas foram abertas, nos direcionamos aos nossos lugares marcados no ingresso. Todos estavam sentados e aguardando o início da exibição. Tem uma prática brasileira de que se a pessoa que comprou um lugar melhor no meio de frente para o palco não aparecer, outro expectador pode correr e pegar este lugar antes de começar o espetáculo. Então muitos que compraram lugares nos cantos do teatro ficam de olho nos lugares vazios no meio da platéia. Eles não vão com antecedência pra lá para não passarem um papelão quando o dono do lugar chegar e pedir para que eles se levantem. Mas uma vez fechadas todas as portas e soarem o som informando que a peça vai iniciar, começam a dança das cadeiras de gente correndo para o meio para ocupar um lugar melhor.

Até ai, acho correto. Já que o lugar não vai ser ocupado, não custa nada um cara assistir daquele lugar. Não é o correto ou muito educado, mas aceito. O que eu não aceito e o que aconteceu nesta peça é do pessoal ficar mudando de lugar depois da apresentação ter começado. Já estava uns 10 minutos de encenação e não parava de aparecer gente mudando de lugar. Achei muito desrespeitoso, incomodava muito ter nossa atenção desviada para esses que ficavam circulando na sala durante a peça.

As pessoas não têm educação o suficiente para saber até onde vai sua liberdade e onde começa a liberdade dos outros. Acham que tem o direito de fazer o que quiser sem entender ou aceitar a necessidade dos outros, o que é péssimo. Pensam apenas no seu conforto. Temos muito que melhorar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Quando o esforço encontra a oportunidade

A forma que interagimos com o mundo, que nos relacionamos e como buscamos nossos desejos depende do respeito que temos com o mundo, sabendo que somos submissos às vontades do Universo. Vi uma palestra sobre os pensamentos de Nietzsche e fiquei fascinado com a quantidade e qualidade das coisas que analisava da humanidade. Acho que Paulo Coelho leu muito suas obras pois uma das coisas que o mago sempre diz em seus livros é que quando você realmente quer atingir algo e põe seu suor e lágrima, o Universo conspira a seu favor. Ouvi algo parecido sobre um dos pensamentos de Nietzsche.

Ele diz que as pessoas devem reconhecer a sua submissão. Não no sentido que ela deve ser pequena, frágil e humilde. Mas reconhecer que a natureza e tudo o que nos roda é infinitamente maior que o ser humano. Quando grandes homens conseguem grandes feitos na história da humanidade, foi porque a natureza assim o permitiu. Não adianta querermos algo se a natureza não der autorização para exercê-la. O que devemos fazer é tentar encaixar os nossos desejos no desejo da natureza, isso tanto na política, nas artes ou na filosofia. Se eu conseguir encaixar meus desejos nos desígnios da vida, na trilha do tempo, o crescimento virá.

Nos livros de auto-ajuda tem bastante deste pensamento bem mastigado e em linguagem de leigo para os mais simples entenderem, mas é uma idéia filosófica de Nietzsche. Além de uma busca pelo dom que Deus lhe deu, pois todos temos algo de único dado pelo criador na minha opinião, o Universo que tem mais poder que você deve permitir que se exerça sua atividade. Trocando em miúdos, é quando a vontade encontra a oportunidade ou quando o esforço encontra a sorte. Não adianta ser muito bom em algo se a gente não tiver sorte. Quantas coisas acontecem por acaso e no final deu tudo certo? Já ouvi histórias sobre grandes atores que acompanhou um amigo para fazer teste e por acaso foi chamado pela direção do canal e se tornou ator, algo que não imaginava. Ou um cantor de botequim que foi visto por um olheiro de grande gravadora e foi chamado para gravar um disco de sucesso. É a vida dando a oportunidade, basta agarrá-la.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Death Note

É um anime sensacional, feito para um público adulto, não devendo nada aos filmes policiais.

O plot principal é sobre um garoto, o Light, que estuda no colegial, prestes a entrar para a faculdade, ele é um dos jovens mais inteligentes do Japão, conseguindo as notas máximas nas provas. Em seu deslocamento da escola para casa acaba encontrando um caderno escrito Death Note (Caderno da Morte). Ao abri-lo, vê que tem algumas regras de uso onde é informado que ao escrever o nome de uma pessoa nele, esse indivíduo morre. Ele fica impressionado, mas a princípio acha que não passa de uma brincadeira ou que é falso. Claro que ele testa com duas cobaias e eles vêem a falecer logo após a escrita no caderno.

Vêm impressas na parte de dentro 3 regras principais, mas a lista de regras é muito grande e só durante o uso é que vamos saber exatamente o alcance do caderno. Se se escreve apenas o nome da pessoa, em 40 segundos ela morre de ataque cardíaco. Se antes dos 40 segundos é escrito o modo em que ela vai morrer, atropelado por exemplo, então ele terá 6 minutos e 40 segundos para descrever mais detalhes se quiser como horário da morte, local, se será rápido ou doloroso, todos os detalhes que quiser. E quando se escreve o nome, a pessoa tem que imaginar o rosto da vítima para que um homônimo não seja morto por engano. Logo, para matar ele precisa de um nome e um rosto.

Light a princípio tem a idéia de usar o caderno para matar bandidos. Como um justiceiro, punirá assassinos, estupradores, seqüestradores e todos aqueles que são o câncer da sociedade. Ele será conhecido pela imprensa como Kira. Idéia muito tentadora e aposto que todo mundo já teve essa idéia, de matar assassinos de crianças se tivesse a possibilidade.

O problema é que ele mata muitos por ataque cardíaco dando uma idéia que aquilo não é uma morte natural e sim obra de um serial killer que mesmo tendo boa intenção, é um assassino. E também ele começa a matar gente que entra em seu caminho ou tenta interromper seu plano.

Então a Interpol contratará o maior detetive particular do mundo para localizar Kira. Este investigador permanece no anonimato e responde apenas pela letra L, não mostra seu rosto e sua voz é transmitida com efeito computadorizado.

Apesar da idéia original ser fantasiosa com um caderno mágico, a história principal é a disputa psicológica entre Kira e L. É um embate das duas maiores mentes do mundo, cada um tentando pegar o outro através da inteligência. L é um investigador quase eremita que tem um cérebro extremamente desenvolvido que através de deduções lógicas consegue chegar muitas vezes próximo da verdadeira identidade de Kira. Já o objetivo de Kira é matar L para continuar seu plano de exterminar todos os bandidos do mundo. E por ironia do destino ele não tem como matar L, pois não sabe seu verdadeiro nome nem seu rosto.

Os episódios são muito intensos e não desgrudamos o olhar da tela do momento em que começa até o término. Em um episódio L se sai melhor do que Kira, em outro é o inverso e o telespectador vai junto com o raciocínio dos dois. Alguns filmes já tentaram seguir este mesmo modelo, mas acho este Anime conseguiu atingir em sua perfeição.

O seriado tem 37 episódios, muito extenso na minha opinião. Começa pelo plot principal da batalha entre Kira e L. Esta história vai continuar do 1 até o 16. O autor vai inventar uma subtrama que vai enrolar do 17 ao 23 que até faz sentido na estratégia de Kira se livrar de L, mas que achei desnecessária. Logo a história principal volta do 24 e se encerra no 26. Acho que a audiência estava muito alta e os produtores deveriam estar querendo estender a série, então eles criam mais 2 outros personagens para formar uma nova história até sua conclusão no 37 que é boa, mas não tão boa quanto a primeira. Para quem não viu este Anime, não sabe o que está perdendo. TEM que assistir, pelo menos até o episódio 16. É eletrizante.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Deus da Carnificina

Só o título do filme já dá vontade de assisti-lo. Carnage! E também só de saber que foi filmado por Roman Polanski já é um motivo a mais para ver esta película, além de grandes atores no elenco. Mas confesso que me decepcionei um pouco. A expectativa que a gente cria em torno de um filme é fogo! Sempre que tenho vontade de assistir um filme, evito ao máximo saber mais detalhes sobre a trama para não ter spoilers inconvenientes. Mas ao saber que era um filme do Polanski já imaginei aqueles grandes filmes de suspense onde ficamos com o coração na garganta. Mas não se trata disto. É uma comédia baseada em uma peça e teatro e toda a história se passa dentro de um apartamento. Entretanto tirando expectativa infundada, o filme é muito bom.

A história, sem spoilers, é o seguinte. Os filhos de dois casais brigam no parque. Uma delas pega um pedaço de galho e atinge a outra, quebrando dois dentes da boca. Aliás, é a introdução do filme enquanto passa os créditos iniciais. Quando começa o filme, costumamos não prestar muita atenção nas cenas iniciais por ao ter muita importância, o contrário do que acontece aqui. Veja com atenção desde o início. Então os pais da criança que foi agredida, Jodie Foster e John C. Reilly, chamam os pais da criança agressora, Kate Winslet e Christoph Waltz, para conversarem sobre o assunto e tentarem resolver o problema. Basicamente toda a história se passa entre estes dois casais discutindo sobre que atitude tomar em relação às crianças. Depois de assistir ao filme, eu adoraria ver uma peça de teatro representando esta história.

Se acontecesse no Brasil, os pais da criança vítima iriam partir pra violência contra os pais da criança agressora. Não teria conversa e se a criança passasse na frente da casa também seria alvo de violência, do jeito que nosso país costuma tratar casos passionais. Mas no mundo mais civilizado do filme, os pais muito amistosamente tentam resolver através de uma conversa franca. Claro que pra ter 2 horas de filme, muita coisa vai ser discutida além da briga das crianças, como o casamento dos dois casais e os problemas pessoais de cada personagem.

E parece que o Quentin Tarantino ressuscitou mais um grande ator. Depois do John Travolta se tirado do ostracismo e estrelado Pulp Fiction, desandou a trabalhar em milhares de filmes a seguir. Aconteceu novamente com Christoph Waltz, excelente ator que ninguém conhecia até o Bastardos Inglórios onde fez brilhantemente o papel de um nazista caçador de judeus, merecendo um Oscar pelo trabalho. Agora todo filme que assisto, ele está nele. E neste filme ele faz uma ótima participação, que é a cara dele.

Do modo que o texto é bem feito e os diálogos caprichados, me deu a sensação de ter assistido um filme do Woody Allen. Pra quem curte este tipo de filme, vale a pena.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

No último lugar que procurei

Escrevi este texto depois de ler um trecho do livro “O que a vida me ensinou” de Mário Sérgio Cortella.

No livro do Cortella ele brinca com a história do cara que estava procurando uma chave. Depois de procurar muito, acha-a e diz: “justo no último lugar que procurei”. Muitas pessoas dizem esta frase. Mas é claro que estava no último lugar que procurou. Depois que você acha, não vai continuar procurando né.

Depois de me identificar com a situação e rir, raciocino melhor. O cara que diz esta frase não quis dizer exatamente o que saiu. Ele se sente um azarado por ter procurado por tantos lugares, perdido tempo precioso e só ter encontrado depois de revirar o quarto inteiro.

Na verdade é como se ele tivesse na cabeça uns 15 possíveis lugares em seu quarto onde a tal coisa que perdeu poderia estar e ele tem que escolher a ordem dos lugares para verificar se o objeto está lá. Escolhe o armário primeiro, abre e vê que não está lá. Em seguida abre a gaveta, não está lá também, e assim sucessivamente até chegar ao 15ºlugar que estabeleceu previamente onde estaria e finalmente acha o maldito objeto. Neste caso ele teria toda a razão de proferir esta frase, pois foi o último dos 15 lugares que relacionou para a procura. Se não tivesse achado, teria que fazer outra lista na cabeça. E é claro que ele se sente azarado por ter escolhido mal a ordem e culpa o maldito Murphy.

No meu serviço passo por isto também quando tenho que procurar um contrato de importação em uma pequena pilha de 20. Claro que instintivamente começo a procurar do primeiro ao último e é claro que o que eu estou procurando está no final. Algumas vezes tento enganar Murphy começando do último e neste caso o que eu estou procurando está no começo. Logo posso dizer que achei no último lugar que procurei.