Chegamos tranquilamente e vi que a sala onde se realiza a palestra e relativamente pequena. Na verdade é uma casa normal que eles aparentemente alugaram para realizar seus encontros, mas bem agradável. Sentamos e começamos a conversar enquanto os outros estavam chegando.
Existe um orador oficial das atividades. Quando teve o início das atividades ele fez uma oração do pai nosso e neste momento toda a sala se acendeu luzes azuis dando um aspecto meio divino. Ao terminar, as luzes retornaram e começaram-se os recados. Informou das atividades que o centro realiza, doações aos pobres, a biblioteca de livros espíritas que existe no local para consulta gratuita, um encontro que planejam fazer etc. Esse cara é muito espirituoso e toda notícia que deu tinha uma piadinha embutida fazendo o ambiente se tornar cada vez mais descontraído e agradável.
Logo em seguida o palestrante tomou o posto no totem. Neste dia o convidado foi William Sanches, jornalista que atua em diversos meios de comunicação e também é professor universitário. Sua palestra foi boa e bem auto-ajuda. Falou sobre os rótulos que todos nós temos e de como também rotulamos as pessoas. Comentou sobre as mágoas que nos criamos em nossas vidas e disse para sempre buscarmos realizar os sonhos que temos, criar em nossas mentes a frase “E se eu fosse feliz? |Que caminho adotar”. Falou que as pessoas normalmente gostam de tragédia e tem preconceitos. E que devemos cultivar mais o amor e a gentileza.
Logo depois começou a sessão de passes. Existe uma sala ao lado desta primeira onde é realizado o procedimento. Pensei que a ida era espontânea e só ia quem quisesse. Mas fui vendo que todos tinham que ir. A ordem era de trás para frente, uma mulher ia indicando quem poderia entrar na sala já que só comportava sete pessoas de cada vez. Durante a entrada e saída das pessoas na sala, aquele cara do início ia lendo trechos da bíblia com uma música calma no fundo. Quando chegaram nossas vezes ela tocou levemente em nossos ombros indicando que podíamos ir e nos direcionamos até a porta. Quando entramos, ai sim a imagem que tive foi como na minha imaginação. Lá dentro, em frente às cadeiras que sentamos, tinham sete pessoas todas com roupas brancas nos esperando como se fossem a tropa de choque celestial pronta pra tirar as impurezas de nossos corpos. Eles realizam os procedimentos em silêncio e de vez e no final dão uma mensagem positiva tipo “que Deus te acompanhe” ou coisa parecida. Ao sair da sala, passamos por uma mesa onde tem vários copos d’água nos esperando, então devemos beber um e voltar aos nossos lugares. Todos passam pela sala incluindo as crianças que estavam em outra sala só para jovens e no final os que estavam trabalhando no local (as moças, o palestrante e o cara do início das atividades). Passa uma idéia de igualdade entre todos.
No final o cara dá mais alguns recadinhos. Apagam-se as luzes, voltam-se as luzes azuis e é rezado mais um pai nosso. Ai sim se encerra as atividades e todos nós podemos ir pra casa. Achei bastante positiva a experiência. Não poderei repetir com freqüência já que o horário de início coincide com o final do meu período de trabalho. Mas assim que possível quero ir novamente. É bem menos barulhento do que outras igrejas da moda por ai, e não somos atacados pra tirar o demônio do corpo.
Mesmo quando criança, quando gostava de astronomia, eu achava curioso quando meu professor de ciências citava Deus nas aulas. Pois como todos nós sabemos, ciências e religião são formas de pensamento distintas, uma é racional e a outra teológica. Naquela época eu já me identificava como pertencente ao grupo dos racionais, coisa que sou até hoje, mas não tenho tanta certeza assim da separação dos dois conceitos. Sim, eles se divergem e quem opiniões totalmente diferentes em alguns pontos. Mas em outras áreas eles se complementam. Meu professor, ao descrever o funcionamento das células ou dos planetas e estrelas ele sempre dizia que Deus era muito criativo e mostrava a quantidade de detalhes diferentes e fantásticos que havia no Universo. Sempre foi minha aula preferida na escola.
Nesta semana o ibope divulgou a notícia sobre as crenças religiosas dos brasileiros e que o número de evangélicos subiu. Eu vi este anúncio na quinta-feira em um jornal da tv Globo, talvez o Jornal Nacional não me lembro, e lá foi dito que os evangélicos subiram 61% em 10 anos e que os católicos caíram 9%. A Globo então confirmou o crescimento dos evangélicos, mas ressaltou que os católicos ainda é líder no total de fiéis do país tendo 64,6% de fieis contra 22,2%.