segunda-feira, 11 de junho de 2012

Book Trailer


O trailer book foi criado para seguir os passos do trailer de cinema que consiste em registrar um uns 2 minutos as melhores cenas do filme e fazer um resuminho sem entregar muito. No trailer book eles colocam imagens do livro, uma música do fundo, umas frases de impacto e tentam dar ao leitor a vontade de lê-lo. Li, no site o Vendedor de livros uma discussão sobre o que as pessoas acham da ferramenta para conquistar mais leitores.

Na minha opinião ainda não acharam um bom jeito de vender o livro via vídeo no youtube. Explico: eu não me sinto atraído por umas musiquinhas e umas frases de efeito. Claro que muita gente deve se sentir tocada com a edição do vídeo e resolver comprar o livro, mas eu necessito de mais informações antes de tomar a decisão de gastar dinheiro e tempo em um produto. Parece um grande arquivo de PowerPoint.

Antes de mais nada não sou suscetível a melodramas. Logo não sou afetado por imagens bonitas e musiquinhas de fundo. Então sou exceção à regra pois a maioria das pessoas tomam decisões de compra baseadas no impulso emotivo. Talvez por isso o book trailer deve fazer efeito. Para mim, o assunto do livro tem que ser interessante, me despertar o desejo de conhecer aquele assunto ou aquela história. Investigações de assassinato, descobertas paleontólogas, análises da psique da mente, sei lá. Tudo isso é interessante, mas depende de Como se vende a idéia. Por exemplo: A Guerra do Paraguai eu acho um assunto fascinante, já li muito a respeito e acho que tenho um bom conhecimento sobre o assunto. Se sai um livro com o título A Guerra do Paraguai, não vai me interessar em nada por já conhecer a história. Mas se for me dito que este livro é diferente pois ele mostra novos fatos historiográficos onde muda fatos históricos ou se o enfoque das batalhas fosse pelo ponto de vista dos paraguaios, certamente me interessaria. Um assunto nunca se esgota se você decide explanar de um modo diferente com novas idéias.

Acho que além das musiquinhas e das imagens, o narrador deveria ditar um resumo do livro sem entregar detalhes, indicar o gênero, se é uma não ficção, um romance, um pouco dos dois, e incluir uma parte onde o próprio autor dá sua opinião sobre a obra. Não precisa ser muito, basta um 1 ou 1,5 minuto para ele explicar quais as principais qualidades de sua obra. Ninguém melhor do que o autor para falar sobre isso. Minhas decisões de compra geralmente saíram depois de eu ouvir os autores comentando sobre seus livros. Entrevistas em programas de rádio ou no Programa do Jô me fizeram correr atrás de algumas coisas muito interessantes. Em entrevistas eles discutem sobre o assunto do livro fazendo a gente ter vontade de conhecer mais sobre aquilo e é claro que compraremos aquele livro que está na nossa frente. Recentemente assisti uma entrevista onde se discutiu o livro “O Povo de Luzia” contando sobre a pré-história americana e achei fascinante. Já entrou na minha lista de livros a ser comprada.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Coisa de louco também na platéia

A pior platéia é aquela inconveniente que atrapalha o bom andamento do espetáculo, seja ele qual for. Tive uma experiência com uma dessas na peça “Coisa de Louco”, apresentada no Teatro Santa Catarina do Hospital Santa Catarina, que conta a história de um contador que é chamado às pressas para fazer uma palestra sobre as drogas. O cenário e o jeito que o autor se comporta é como se fosse uma palestra de verdade e não uma encenação, lá está a mesinha com a água, um totem e um flipchart para as anotações durante a apresentação, mas claro, claro, que é uma representação de uma palestra. A situação inusitada é que é engraçada, o que um contador teria pra falar sobre drogas? E ainda sendo chamado em cima da hora. O texto se baseia nisto.

Teve umas pessoas da platéia que parece que não entenderam a idéia que existe em um teatro. Em uma peça, uns representam e outros assistem. Acho que eles caíram de pára-quedas naquele teatro e resolveram se divertir e interagir com o ator. Já começaram a interromper o bom andamento da apresentação quando o ator entrou em cena dizendo “boa-noite” como se estivesse em um auditório cheio e ele estivesse pronto pra começar a palestra. Não foi uma boa noite pro público da peça e sim para o da história, foi retórico, mas essa galerinha do mal respondeu em uníssono “BOA NOITE”. Na hora achei estranho e pensei que fosse um condicionamento natural das pessoas. Quando se dá boa noite, instintivamente temos a vontade de responder a cortesia devido a anos de repetição em suas vidas. É a mesma coisa daquelas pessoas que dão boa noite pro William Bonner no Jornal Nacional. É uma coisa de louco, mas compreensivo.

Logo após o ator, representando o palestrante, fez perguntas retóricas à platéia da história, não a nossa, para simular um começo de apresentação da palestra, mas esses expectadores acharam que a peça era feita exclusivamente para eles. Começaram a responder as perguntas, acharam que estavam numa sala de aula ou num curso presencial de alguma empresa, não é possível. Ou estavam num estágio de senilidade já avançada, pois eles pareciam pacientes do hospital que fugiram de seus quartos. O ator, já macaco velho, lidou bem com essas interrupções e prosseguiu na história. Já eu fiquei extremamente irritado. Eles estavam se divertindo a beça, mas eu queria assistir sem interrupções ou conversas ao lado. Parecia que eles estavam sentados em frente à televisão de casa conversando um com o outro. A cada coisa que o ator dizia eles comentavam alto entre si e com o ator em cena. Eu me desconcentrava.

Enfim, o contador da história não entende muito do assunto drogas, apesar de ser um hipocondríaco de carteirinha e tomar medicamentos a cada 5 minutos. Então ele acaba desabafando sua vida conturbada para a platéia. Pego de surpresa em apresentar um assunto que não domina, ele vê similaridades entre as drogas e os remédios, coisa que eu também vejo, não é a toa que compramos remédios em uma DROGAria.

O ator, depois da apresentação, até comenta deste teatro que eu não conhecia. É uma sala dentro do Hospital Santa Catarina. Ele diz, e é verdade, que faltavam mais salas de teatro na av.Paulista e é mais um lugar para lazer depois do serviço e próximo do metro, de fácil acesso. A sala é bem ampla e as cadeiras são próximas ao palco, muito bom. Só peca pela distância das cadeiras entre uma fileira e outra. Se você se senta no meio, todos os outros têm que levantar pra você entrar, impossível passar com eles sentados. Defeito que acontece também em alguns outros teatros.

Coisa de Louco
Texto: Fauzi Arap
Direção: Elias Andreato
Ator: Nilton Bicudo
Quando: terças, às 21h. Em cartaz até 03/07/2012
Onde: Teatro Santa Catarina - av. Paulista, 200, São Paulo.
Quanto: R$ 30

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A morte na Dança da Morte

A Dança da Morte do Stephen King é um livro imenso onde ele detalha cada uma das vidas dos personagens para ai então encaminhá-los para o objetivo principal da história que é um mundo pós apocalíptico. Como ele conta toda a história dos personagens incluindo seus sentimentos e todo o background, acabamos nos ligando à pessoa como se fossem conhecidos. Já que muita gente vai morrer, a idéia é não se apegar a ninguém. Vão existir muitas descrições de mortes, tanto de pessoas ruins quanto de almas bondosas. Tem descrições muito bonitas, que me fez ter um aperto no coração, principalmente a morte da mulher do delegado que ajudou o mudinho. Ela não queria morrer sozinha e ele ficou com ela até os últimos momentos. Ela queria ser enterrada usando um vestido que estava num armário. Depois da sua morte, o mudinho chorou, mas cumpriu sua promessa. Limpou seu corpo, despiu, colocou o vestido e a carregou nos braços para a igreja mais próxima para rezar uma última missa. Ele a amava. Achei muito bonita esta cena.

Morrer não deve ser fácil. Deve dar um sentimento tão grande de solidão, mesmo que esteja com familiares. Neste momento a gente deve se sentir tão frágil, tão exposto que o que mais desejamos é ter alguém amado ao seu lado. Stephen King retrata isso muito bem mostrando os sentimentos das pessoas no leito da morte, sabendo que vai morrer e não tendo nenhuma escapatória. Lembrou-me do livro do Dráuzio Varella, Por um Fio, onde ele mostra todos os aspectos do processo da morte tanto na visão do paciente quanto no do médico. Nas passagens alegres e tristes, nos otimistas e pessimistas, nos crentes a Deus e nos ateus, nas pessoas que cuidam de sua saúde e nos boêmios, etc. Não tem jeito, a única certeza da vida é que a morte é inexorável, todos vão passar por ela não importa se você é uma boa pessoa ou não.

Em uma das muitas atividades que eles inventaram no falecido Orkut, uma delas foi criar comunidades para lembrar-se de entes queridos que já se foram, um revival, uma página de homenagem contando sobre a pessoa onde amigos poderiam se inscrever e escrever depoimentos sobre o cara, como ele foi querido e tal. No início eu achei uma boa idéia, mostrava quantas vidas essa pessoa atingiu com sua personalidade e todos os vínculos que deixou. Mas com o passar do tempo, aquela página não tinha movimento, após o período de luto ninguém mais entrava pra escrever sobre o falecido, ela ficava abandonada às traças. Ninguém se desvinculava, pois todos continuavam a gostar do amigo. Mas a cada vez que entrávamos no Orkut, aquela página aparecia na lista das suas comunidades e fazia a gente lembrar que ele tinha morrido, comecei a pensar que não era tão boa idéia deixar uma página dessas assombrando a gente, trazendo tristeza por não termos o amigo de volta. Deixou de ser algo de alegre.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Elfen Lied

Não costumo assistir animes ou ler mangás, os famosos desenhos japoneses, apesar de anos atrás ter assistido Cavaleiros do Zodíaco, mas não conta. Este, por assim dizer, foi a primeira série anime que vi e fiquei muito impressionado com a qualidade da história. O que me impulsionou a assisti-la foi o fato de ter apenas 13 episódios do inicio à sua conclusão. Como não estou habituado com animes, não iria começar a ver uma daquelas séries com anos de exibição.

Elfen Lied é uma ficção que até me lembrou um pouco o conceito dos x-men, onde aparece uma nova raça com poderes que veio para substituir a já defasada humanidade. E os humanos combatem-nas. No anime, existe uma raça mutante chamada Diclonius, que são iguais aos humanos, com duas diferenças: Tem um par de chifres na cabeça e possui 4 vetores (braços invisíveis que alcançam aproximadamente 2 metros de distância e que podem cortar qualquer coisa).

Basicamente os diclonius nascem e após os 3 anos de idade começam a ter pensamentos assassinos, um tipo de instinto natural contra os humanos que eles vem pra substituir, como se a natureza informassem a eles que essa espécie deve ser destruída. Então existe uma organização responsável por exterminar os diclonius enquanto ainda são bebês. Mas eles possuem alguns vivos, como prisioneiros, para testá-los e verem o quanto são resistentes em relação aos armamentos. Muitos são torturados constantemente. Acontece que apesar desta natureza assassina, eles têm sentimentos iguais aos humanos.

A história começa quando Lucy, uma das primeiras da nova espécie, consegue fugir dessa instalação e vai para a cidade. Logo começa uma caçada atrás dela para evitar um banho de sangue. Na fuga, a Lucy leva um tiro na cabeça fazendo com que ela crie uma segunda personalidade, a Nyu, que é boa, carinhosa e sem nenhuma lembrança do seu passado. Dois personagens a encontram na praia, Kouta e Yuka, e a levam para casa sem saber da história. Apesar desse background fantasioso, a história é focada nas relações humanas, no preconceito com pessoas diferentes entre si. Claro que como toda boa produção japonesa, tem bastantes cenas de violência e eróticas.

Baseada em um Mangá, a história é bastante modificada e tem um final totamente diferente do anime. Não li, mas procurei saber o final verdadeiro e me surpreendi com tanta diferença que teve. Achei o final do mangá melhor, mas o anime também é muito bom e deixa uma brecha para uma segunda temporada.

Para quem quiser assistir, vá neste endereço:
http://www.animesmax.com/2011/01/elfen-lied-episodios.html
Assista o primeiro pra ver se interessa. Cada episódio tem mais ou menos 25 minutos.

Alguns vídeos legais que descobri:

Vídeo feito por fãs, com os personagens do Elfen Lied em life action.


Thays Misato cantando o tema de abertura da série Lilium, no Anime Friends 2011.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Aventuras no Teatro Ruth Escobar

Não conhecia o teatro, mas decidir ir a uma de suas peças. Vi pelo mapa que era relativamente próximo do metro Brigadeiro e assim planejei a ida em 3 de abril. Como iria andando, vejo bem por onde passarei durante a noite, pois dependendo da região, pode ser perigoso caminhar desprotegido caso algum assaltante queira aproveitar da situação.

Descendo pela av. Brigadeiro, estava tudo tranqüilo, próximo da av. Paulista, com bastante movimento. Em seguida entro pela Rua dos Ingleses, onde precisava passar por duas ruas para chegar ao teatro. Após alguns metros vejo que a iluminação não é das melhores, mas prossigo na minha caminhada. Passado a primeira travessa percebo que mais postes estão sem luz deixando a rua bem escura, ótima pra um pequeno delito. Penso em voltar, mas resolvo continuar, pois já estava ali mesmo e o teatro estava próximo. Continuei e avistei o local, em uma pequena praça, parecendo um oásis, mas mesmo assim com a iluminação baixa. Bom, primeira etapa concluída, mas ponto negativo para o caminho a ser percorrido do metro até lá.

Quando fui comprar os ingressos, a atendente informa que existe um problema na impressão dos ingressos que já estava sendo resolvida. Pediu para eu aguardar na área de espera acima. O local é bem amplo, com várias mesas, mas achei estranha a pequena lanchonete com as luzes apagadas e com alguém questionando o fato de estar cheirando queimado em algum lugar. Outro ponto negativo. Mas ouvi os funcionários conversando sobre um problema de energia que estava acontecendo naquela região e então liguei os fatos. Por isso estava escuro na rua, por isso a máquina de impressão de ingressos não estava funcionando e por isso a lanchonete estava apagada. Zerei os pontos negativos e percebi que era uma situação excepcional.

As pessoas foram chegando e nada de avisarem que os ingressos já poderiam ser impressos. Faltando 15 minutos pro começo, fui até o guichê para perguntar se já haviam corrigido o problema e informaram que não e que a peça seria adiada por 10 minutos. E que neste período a Eletropaulo iria desligar a energia e restabelecer, tipo um boot do sistema. Voltei ao meu lugar para a espera. Aconteceu o tal blecaute como haviam dito e a funcionária avisou os participantes do que estava acontecendo. Trouxeram várias luzes de emergência, pendurando nas pareces para que não ficássemos no breu total, mas mesmo assim estava bem escuro. Já passava de 20 minutos de atraso quando os atores apareceram na área, já vestidos com as roupas da apresentação para conversar com as pessoas. Informaram que achavam que a energia seria consertada em breve, mas como estava demorando muito e não havia previsão de volta, decidiram cancelar a peça naquele dia e que poderiam voltar na semana seguinte. Os atores e os funcionários foram muito gentis e atenciosos. Pediram desculpas mesmo a culpa não sendo deles e o público que estava lá entendeu.

Na volta pra casa, vimos o caminhão da Eletropaulo na porta com os técnicos pendurados no poste e aquela escuridão total, pior daquela quando cheguei ao teatro. Eu me orientava com as luzes dos carros que passavam na rua. Só quando cheguei na av. Brigadeiro que tudo voltou ao normal.

No dia 10, uma semana depois, voltei ao local para tirar minha má impressão do caminho. Realmente a energia tinha sido o problema, pois a rua é bem iluminada e pareceu mais rápido chegar até lá caminhando. Mas todo aquele público que estava esperando na semana passada não retornou nesta. Acho quando entrei na sala tinha umas 12 pessoas assistindo a peça. Os atores se apresentaram muito bem, profissionalmente, como se estivesse lotado. No final foi até um pouco constrangedor com uma dúzia de pessoas batendo palmas. Eu nunca tinha ido num teatro em que tivesse tão pouca gente. Fiquei pensando porque isto tinha acontecido. Acho que a localização não deve ser das melhores. É um pouco afastado da av. Brigadeiro. O preço dos ingressos também não é tão convidativo. Também acho que falta divulgação. É uma coisa pra se pensar.