quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Camp 14 – Total Control Zone

36ºMostra Internacional de Cinema São Paulo
2012 – Alemanha

Filme alemão, mas que conta a história verídica do que acontece com prisioneiros políticos em um dos países mais fechados do mundo: a comunista Coréia do Norte. Shin Dong-Huyk foi um prisioneiro de um campo de reeducação norte coreano que escapou e fugiu do país e conta através de entrevistas sua história de vida.

A vida de Shin é uma coisa muito louca, daria um puta filme ficcional. Seus pais foram presos ou por manifestarem contra o ditador ou qualquer palavra mal interpretada como subversiva, então a família inteira é levada a estes campos durante a noite sem explicação ou julgamento. Lá são forçados a trabalharem a exaustão, passam fome com uma ração mínima e são brutalmente assassinados sem motivo nenhum. Não é permitido falar mal da sua situação ou questionar sua prisão ou tentar fugir. Eles incentivam a delação entre os presos causando mais terror psicológico. Alguns são levados a um presídio lá no campo onde passam por sessões de tortura medievais. Lembrou-me muito o “ministério do amor” do livro 1984 de George Orwell.

Os campos de reeducação são na verdade campos de morte, similares aos campos de concentração nazistas do século passado. Através das memórias de Shin podemos concluir que a era medieval, a dark age, ainda existe em muitos lugares do mundo. É muito fácil falar que estamos mais evoluídos hoje do que antigamente quando estamos vivendo livres nas cidades. Somos a nova burguesia. É só olhar para o resto do mundo para constatarmos que em muitos lugares este estilo de vida não é compartilhado como no oriente médio, em regiões da áfrica e na Coréia do Norte. Hoje assistimos filmes onde os nazistas são os vilões mais sádicos que conhecemos, mas existe tanta crueldade em outros lugares que depois que a gente conhece outros vilões da vida real, os nazistas perdem o status de os mais fodões.

Como não existem imagens reais, o diretor teve uma idéia excelente. Nas vezes onde o Shin narrava os acontecimentos no campo de concentração, é mostrado uma animação onde reproduzia tudo o que ele falava para que nós expectadores víssemos claramente o que acontecia. E uma das coisas que mais me surpreendeu foram as entrevistas com dois ex-oficiais norte-coreanos hoje exilados na Coréia do Sul e que trabalharam nestes campos e que contaram detalhes das maldades que cometeram. Eles contaram claramente o que faziam sem nenhum arrependimento ou vergonha, fazia parte do serviço deles e da rotina matar e torturar. Se fosse no Brasil, nenhum torturador do regime militar fala tão claramente assim diante das câmeras.

Para quem viu o filme “O Leitor” da Kate Winslet teve esta mesma idéia onde uma ex-militar dos campos de concentração obedeceu as ordens de matar judeus nas câmaras de gás. Ai chegamos naquele impasse: um militar é obrigado a obedecer aos oficiais mais graduados sem questionamentos com risco de serem presos e mortos. Ele é realmente culpado dos crimes de guerra cometidos já que estavam cumprindo ordens? Outro filme que trata deste ponto é “Questão de Honra” com Jack Nicholson, onde oficiais aplicam uma punição em outro recruta por causa de uma ordem de um capitão e este recruta morre. Eles são culpados? É um assunto a ser debatido. Mas a princípio vemos como monstros sem coração. Como é possível viver em um ambiente desses? Só mesmo o medo de não ser preso e torturado como seus prisioneiros faria tal coisa. Enfim. Este foi o melhor filme que assisti nesta mostra de filmes internacionais e merece a nota máxima 5 de 5. Imperdível.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Invento, roubo e acidente de carro

Hoje meu sonho não teve uma unicidade como normalmente tem, foi um retalho de acontecimentos que acabei lembrando alguns trechos.

Eu estava conversando com dois amigos que só existiam no meu sonho, na vida real nunca os vi. Eles eram os protótipos do nerd. Um se parecia com o Jovem Nerd e o outro se parecia com um personagem do seriado 30Rock chamado Frank Rossitano. É só jogar no Google pra ter uma idéia de quem são. Não me lembro do teor da conversa, mas do nada eles dizem que vieram ali para jogar um jogo que tinham inventado. Estávamos em numa área de estar em uma das unidades do SESC.

Então os dois trazem duas mesas imensas que pareciam uma mesa de ping-pong só que quando montada ela tinha um formato paralelogramo. Era um futebol de mesa, mais conhecido como futebol de botão, com os golzinhos nas suas extremidades e uma mesa gigante entre eles. E ao invés do time de botão tradicional que temos, tinha miniaturas de jogadores espalhados pelo campo. Não me explicaram a forma de jogar, mas comentaram que o tamanho da mesa proporcionaria um jogo mais lento do que o futebol de mesa apresenta por ter grande distancia entre os gols. Esta fala dele representa a minha opinião mesmo, pois eu já joguei muito quando criança e até tinha uma mesa profissional e achava que o chute a gol acontecia muito rapidamente sem a troca e passes normais que tínhamos no futebol tradicional.

Eu comentei que era muito interessante este invento, mas achava que era muito difícil de implantar no mercado, pois era difícil de vender. Ninguém iria comprar um jogo em que a mesa media mais de 4 metros e era muito pesada. Os dois disseram que vinham para o SESC jogar todo final de semana como exibição esperando que alguém se interessasse e propusesse algum tipo de parceria.

Enquanto estávamos entretidos com o jogo percebi que no portão de fora uns 4 ou 5 caras de terno preto estilo CQC estavam tirando foto das casas. Nesta hora percebi que o SESC se encontrava onde na vida real é a casa da minha vizinha. Então eles estavam tirando fotos da fachada da minha casa que ficava ao lado. Eu perguntei o porquê deles estarem fazendo aquilo e me responderam que estavam tirando fotos das casas que já tinham sido assaltadas. Minha casa não tinha sido assaltada, mas não falei nada. Eles não fotografaram uma grande loja de roupas ali próximo e que não existe na vida real. No dia seguinte vejo vários caras saindo correndo desta loja com produtos, estavam roubando aquele estabelecimento. Depenaram o lugar, pois o número de ladrões era grande, mais de 30 caras pelo menos. E depois de assaltarem tacaram fogo no lugar. Fiquei impressionado, pois já relacionei com os fotógrafos do dia anterior. Aparentemente estavam planejando assaltos a lugares que não haviam sido assaltados e pularam minha casa por achar que já havia passado por uma coisa dessas. Fiz bem em ficar quieto.

Reconstruíram a loja, quase num passe de mágica, de um dia para outro e formaram uma loja bem maior e mais chique, para clientes da classe A. Minha chefa no sonho era uma repórter e me chamou para fazer um tour na loja antes dela abrir para promover o lugar. Eles nos apresentaram os produtos e mostraram uma área onde tinha várias jóias com valores altíssimos com pedras preciosas. Uma delas era um tipo de diamante raro que por causa de alguma reação química ele tinha um tom meio arroxeado. Valia milhões. Percebi que meu chefe da vida real estava conosco no tour e perguntamos o que a vendedora aconselhada para ele. Ela olhou e disse que primeiramente mudaria as calças pois eram bem bregas. Todos rimos.

Saímos do local, que era a rua da minha casa na vida real, quando um cara dirigindo um tipo de perua grande veio em alta velocidade e virou de repente para entrar em sua garagem, bem irresponsável. A perua virou e caiu bem em cima de um outro carro estacionado. No meu sonho a perua era bem pesada, quase como um caminhão e amassou completamente o carro e aparentemente não sofreu nenhum arranhão. O cara empurrou, tirou a perua de cima e estacionou na sua garagem fingindo que não foi ele. Ficamos revoltados. Eu comentei com uma pessoa que estava comigo que iria contar tudo para o vizinho da frente sobre quem tinha feito aquilo. A outra pessoa que estava comigo tinha medo pois este cara era um traficante ou algum tipo de bandidagem. Mas eu estava resoluto, não iria deixar de contar. Neste momento vejo o vizinho saindo de casa e descobrindo todo aquele estrago. Antes de eu me aproximar dele uma outra pessoa chegou e contou tudo, fiquei aliviado.

Depois de tanto acontecimento e de um final de alívio, acordei tranquilamente.

domingo, 28 de outubro de 2012

Anulando o Voto

Nesta época de eleições o assunto de anular o voto sempre retorna. Aquele velho mito sempre ronda a internet através de e-mails dizendo que se mais de 50% do eleitorado votar nulo eles são obrigados a fazer uma nova eleição. Pura bobagem! Saiba que o voto nulo não é levado em conta. Contam-se apenas os votos válidos e os nulos são descartados.

Sou de São Paulo e as opções de candidatos são poucas. Não a quantidade, mas a qualidade. Entre as pessoas esclarecidas há um consenso que estamos ferrados e sem ninguém para votar. Muitos que ouço dizem que pretendem anular o voto como forma de protesto ou porque não acredita na honestidade dos prováveis candidatos do segundo turno. Eu discordo desta posição.

Eu também compartilho da opinião que não tem mesmo ninguém para se votar. Mas de duas pessoas péssimas, todo mundo acha que um ainda é pior que o outro. Não existe ninguém igualmente ruim ou igualmente bom. Se fosse fazer uma escala numérica, uma pontuação de pontos positivos e negativos, alguém sempre estaria acima de outra. Eu acho que anular o voto e conceder seu direito de escolher alguém para outra pessoa que provavelmente tem menos informação para escolher o melhor candidato. Você estará dizendo para um transeunte na rua: escolha meu prefeito, pois eu me recuso a escolher por mim.

Eu até tenho um candidato no primeiro turno, mas ele nunca teria chances reais de ir para o segundo turno com a quantidade de votos que a pesquisa o atribui até hoje. E os líderes das pesquisas fazem parte do meu rol de rejeição, daqueles que eu não nunca votaria. Os líderes serão os dois representantes no segundo turno. São terríveis, mas eu me vejo na responsabilidade de escolher o menos ruim. Existem coisas que a gente é obrigado a escolher e em minha opinião a anulação do voto não é uma opção. Se estivermos andando numa estrada e aparece uma bifurcação à frente, somos obrigados a escolher um dos dois caminhos. Não podemos sentar e chorar dizendo que não escolheremos nenhum deles. Os dois caminhos podem nos levar à perdição, mas mesmo assim devemos escolher o que será menos doloroso e prejudicial.

Fazendo uma analogia ao futebol, eu odeio tanto o São Paulo quanto o Palmeiras. Mas dependendo da época ou dos acontecimentos do momento, se os dois forem para a final eu costumo escolher um dos dois para ser campeão. Não quer dizer que eu torço por um deles, mas tem time que merece perder. No tricampeonato tricolor de 2006, 2007 e 2008, os são paulinos eram insuportáveis e eu aceitaria torcer pelo Palmeiras caso eles pudessem tirar o sorriso deles. Em 1994 e 1995 era o inverso.

Digo: por pior que a situação seja, sempre tem um pior na escolha. Faça valer seu direito e vote certo.

sábado, 27 de outubro de 2012

O dia que durou 21 anos

36ºMostra Internacional de Cinema São Paulo

Nesta mostra de filmes internacionais também tem espaço para trabalhos brasileiros e nesta seleção foi muito bem representado pelo documentário “O dia que durou 21 anos”. A história que o diretor conta é sobre o regime militar que o Brasil sofreu de 1964 a 1985 e os fatos que precederam o ato. Mas o ponto mais importante do filme e que o diretor fez questão de focar foi na importância dos Estados Unidos nos rumos que a nossa política tomou.

A influência norte-americana sempre foi um fato que todos nós sabíamos, seja abertamente com políticos e militares dando suporte a qualquer país que resolvesse abraçar o american way of life e fosse contra os comunistas como secretamente através de operações sigilosas e nocivas da CIA. Sempre soube deste fato, mas neste filme é contada muita coisa que eu desconhecia, da grande interferência que os Estados Unidos fez aqui. Antes eu achava que eles apenas trabalhavam nos bastidores influenciando os políticos e dando um apoio genérico, mas de acordo com muitos documentos ficou provado que eles mandaram muitos agentes e militares para ajudar na implantação do regime.

A melhor coisa do filme é a pesquisa feita sobre muito material verdadeiro que estava escondido e protegido nos Estados Unidos. De acordo com suas leis, documentos secretos são liberados ao público depois de 50 anos. Então o diretor teve acesso a várias gravações de conversas telefônicas entre Kennedy e Johnson com os agentes no Brasil aconselhando-os a intervirem na nossa política e tirarem o presidente João Goulard do poder. São mostrados vários documentos oficiais do governo provando atos de ingerência de uma nação sobre a outra. São mostradas informações sobre a operação Brother Sam onde os Estados Unidos quase invadiram o Brasil com sua força naval, não acontecendo porque o Jango fugiu e abandonou o país. Já pensou se isto realmente acontecesse! Tem muita imagem do Jango e de encontros dele com presidentes americanos e na ONU.

Pena que aqui no Brasil tudo o que aconteceu na ditadura é proibido e protegido, para que quem participou não possa ser julgado em vida. Nosso país é uma vergonha mesmo. Os militares tomaram o poder para arrumar a casa, mas já que estavam lá, resolveram ficar por mais de 20 anos, a maior ditadura militar da América do Sul. Quem tem o poder, quer mais poder.

As entrevistas são maravilhosas, com políticos que participaram da época como o Plínio de Arruda e também historiadores norte-americanos que respaldam a pesquisa. Inclusive identifiquei um os historiadores como um participante dos programas do history channel. Fora que a parte gráfica e técnica do filme são impecáveis. Merece ser passado em todas as escolas do país.

Na avaliação final do programa, não tinha como dar nota 5 (Ótimo) e indico para todos que vejam este excelente filme. A gente sai da sessão com sensação que tem mais conteúdo do que quando entrou.

Ao procurar algumas imagens para ilustrar o post, fiquei surpreso em achar o filme completo no youtube. Olha só! Vejam e aproveitem enquanto está online, abaixo:

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Aqui e Ali (Aqui y Allá)

36ºMostra Internacional de Cinema São Paulo
2002 - Espanha, Estados Unidos, México

O bom de uma mostra internacional de cinema é ter contato com outros modos de contar uma história, diferentes visões sobre o comportamento humano e para nós algo diferente do mercado norte-americano que domina todos os cinemas de nosso país. Depois de um tempo assistindo muitos filmes comerciais a gente começa a pegar o esquema e o padrão deles, acaba sendo muito repetitivo e previsível. Todos os filmes passam a ser comuns, com raras exceções. Claro que um filme fora do circuito não quer dizer que ele seja bom, tem muita merda no resto do mundo também. Mas só pelo fato de ser fora dos Estados Unidos, já acho válido, pelo menos por ser mais original.

É o caso deste filme produzido por vários países, mas que se passa no México. Pedro é um pai de família que passa vários anos trabalhando e tentando ganhar a vida longe de casa nos Estados Unidos. Ele então resolve voltar para sua mulher trazendo novas idéias para ganhar a vida no México. Sua vida é bem simples e mora em uma cidade do interior, bem humilde e parecida com nossa periferia. Chegando lá ele procura amigos e conhecidos para formar uma banda de cumbia e tocar em shows de festas locais.

É a velha luta pela sobrevivência que conhecemos muito bem por aqui. Na verdade pelo que é exposta na tela esta região do México não é muito diferente do que acontece no nosso país. A geografia e a língua são diferentes, mas os problemas econômicos e sociais são os mesmos. Eles não apelam para a violência. Claro que ela existe, mas a história se foca mais nas relações humanas e nas dificuldades de um trabalhador pobre ter prosperidade em uma região que não oferece infra-estrutura adequada. Problemas médicos, a procura por trabalho, filhos com problemas na escola, tudo isto é abordado.

Em alguns momentos achei o andamento um pouco arrastado. Tem um café da manhã que o Pedro tem com as filhas que dura uma eternidade, diferente do ritmo videoclip dos filmes que acostumamos a assistir. Mas acho positiva esta forma de filmar mais tranqüila. No final preenchemos cartela e damos uma nota ao filme que vai concorrer aos prêmios no final do festival. Dei nota 3 de 5, considerado BOM.