quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tributo à Legião Urbana

Tem dias que a gente não esquece nunca por causa de um fato muito importante ter acontecido. Quem se lembra do que estava fazendo quando aconteceu o ataque terrorista ao World Trade Center? E quando o Silvio Santos foi seqüestrado? Acho que cada um tem uma história diferente e lembra exatamente o que aconteceu. E quando o Ayrton Senna morreu no 1º de maio de 1994? Todos temos uma história. Hoje, depois de assistir ao tributo à Legião Urbana da MTV me lembrei que um dia marcante na minha vida foi o dia da morte do Renato Russo.

Eu já era muito fã da banda, mas meu irmão venerava tudo o que vinha deles. Era uma verdadeira religião para ele e eu acho que acabei me tornando fã muito no embalo dele. Enfim, lá nos longínquos anos de 1996, não fazia porra nenhuma da vida além do esquema escola-cinema-clube-televisão. Eu estudava no período da manhã, tinha acabado de chegar em casa e estava prestes a começar meu almoço quando meu irmão liga do seu serviço me perguntando se eu já sabia da morte do Renato Russo. Fiquei surpreso, pois não estava sabendo de nada. Ele confirmou o ocorrido e me incumbiu de gravar tudo o que eu visse da Legião na televisão. Ele sabia que iria passar várias coisas sobre a banda, principalmente na MTV que dedicaria o dia inteiro a passar todo o material que tinham deles.

Corri para preparar os vídeo-cassetes. Tínhamos 2 na época, um na sala e um no quarto. Já comecei a gravar a MTV que estava passando todos os clipes e na sala eu ficava pesquisando nos outros canais os telejornais da tarde. Gravei tudo mesmo. Tinha uma entrevista que eles deram no Disk MTV com a Astrid, gravei uma participação deles no Programa Livre do SBT, pra quem não sabe era o antigo Altas Horas da Globo. Teve várias entrevistas que aconteceram na MTV, making ofs dos clipes, entrevistas com outros artistas. Teve dois shows transmitidos nas emissoras, sendo um deles na Bandeirantes que foi o último filmado e o acústico. Tinha coisa muito rara. Depois fiz uma puta edição nas fitas, tirando tudo o que era supérfluo como os comerciais e deixei uma fita de 6 horas só com a nata da nata. Esta fita ainda existe na casa do meu irmão. Acho que ainda tem muita coisa lá que não existe registro no youtube. Qualquer dia vou tentar passar o que tem lá pra mídia digital e disponibilizar na rede.

Nunca deixei de ouvir todos os discos da banda desde então, o Renato Russo nunca morreu pra mim já que eu o ouvia sempre no meu walkman na época e hoje nos MP3 da vida. Só não gosto do material solo dele, que nada tem a ver com a Legião. Até reconheço que umas duas músicas são boas, mas o resto é descartável. Meu irmão, claro, ama todas.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Na dieta – A luta entre os dois demônios

A tentação da comida, a vontade de comer mesmo sem fome, a gula, é o maior dos males de um gordo. Os magros pensam que temos fome. Na verdade, sofremos de ansiedade e descontamos na comida mesmo. Claro que com um corpo maior, a fome vai gerar mais fome e mais ansiedade por estar comendo mais e pior do que antes.

Nos desenhos animados, quando pensamos em fazer algo errado, sempre tem um diabinho de um lado incentivando acometer o delito e do outro lado do ombro tem um anjinho tentando persuadir a desistir da ação. No nosso caso existem 1 anjo e 2 diabos. O anjo só atua quando os dois diabos estão mortos. Explicarei.

Existem as pessoas de fora, colegas de serviço, da escola, amigos, conhecidos, qualquer pessoa que costumamos ter contato quando saímos de casa para uma atividade até voltar para seus lares. Este é o diabo numero um. No meu serviço todo dia tem gente que compra biscoitinhos, bombons e outras coisas e distribuem entre os colegas. Geralmente tem uma caixa cheinha de bombom que fica em cima da bancada, é só ir lá pegar. E eventualmente tem as festinhas de aniversário e reuniões gerenciais onde são comprados pães de queijo, esfihas, bolos e tudo o que for proibido para uma dieta equilibrada. Devemos combater este demônio e resistir com todas as forças as tentações. Claro que um bombom não é nada. Mas o gordo não aceita comer um, e sim uma caixa. Enquanto a caixa estiver cheia, o chocolate estará me chamando.

Digamos que vencemos esta batalha e o demônio 1 está controlado. Pegamos a condução e vamos para casa encontrar quem? O Demônio 2, a missão. Quando a noite se aproxima, parece que a fome aumenta mais do que durante o dia. Logo lutaremos com as tentações que nossos familiares apresentam. Quem não tem pais, irmãos, sobrinhos, namorada/o e outros co-habitantes que compram suas guloseimas e deixam brilhando em cima da mesa? Toda a cozinha perde a graça e aquele bolo fica gritando no seu ouvido para ser comido. Não consigo me concentrar em mais nada. Se estiver assistindo televisão, estudando, navegando pela internet, não importa, tudo o que estarei pensando é naquele maldito bolo de chocolate na cozinha. E a tentação durará até a hora de dormir. Se você for pra cama sem ceder, o segundo demônio estará vencido neste dia.

A batalha recomeça no dia seguinte. De acordo os demônios forem sendo controlados e vencidos diariamente, um anjinho bem tímido começará a surgir oferecendo substitutos naturais e mais nutritivos que farão sua saúde aumentar e a circunferência diminuir. Mas é uma luta de Davi contra dois Golias, com a diferença que os Golias ressussitam no dia seguinte para te atacar novamente.

A minha visão da dieta é mais divertida, estilo Senhor dos Anéis, mas verdadeira.

domingo, 27 de maio de 2012

Marcha das Vadias

Ontem aconteceu a Marcha das Vadias, movimento feminista originário do Canadá onde um policial idiota disse que uma mulher só foi estuprada só porque se vestia que nem uma puta. Os protestos começaram lá e todo ano agora tem passeatas e movimentos feministas pelo mundo com o mesmo ideal.

Na boa, mas brasileiro adora importar coisas de fora só pra fazer festa. Não tem nada de ideológico aqui. Nós achamos que tudo o que vem de fora é bom então devemos fazer a mesma coisa aqui pra nos sentirmos pertencentes ao mundo. A Marcha das Vadias é um exemplo. O que se tornou um protesto canadense contra o machismo dos policiais de lá, aqui virou festa pra um monte de mulheres ficarem seminuas na rua. Pra nós homens é ótimo, ter uma visão privilegiada. Mas é zero como movimento social. Acho que 99% das vadias daqui não estavam nem ai pro ideal e sim pra festa.

A mesma coisa acontece com outros movimentos. A Parada Gay de São Paulo, apesar de ser a maior do mundo é apenas mais um carnaval fora de época onde tem uma grande quantidade de gays junto com o resto do povo. Movimentos contra a violência contra gays? Só 1% está pensando nisto, os outros 99% querem putaria.

Quer mais coisa importada que perde todo o sentido aqui no Brasil? Que tal o Occupy Wall Street? Movimento norte-americano contra a desigualdade econômica e social do setor financeiro que fez grande estrago na última crise financeira mundial. Aqui no Brasil virou um monte de desocupados moradores de rua baderneiros montando barracas sujas e fétidas no Vale do Anhangabaú em São Paulo. Duraram algumas semanas e foram logo retiradas, pois não via sentido naquilo.

Festas estrangeiras abrasileiradas. O Halloween, evento tradicional que tem origem com o povo Celta e comemorado pelos norte-americanos e britânicos, aqui no Brasil virou uma festa à fantasia, geralmente comemorada por jovens da classe média pra cima. Ou seja, mais um motivo pra festa, pra beber e comemorar, só não se sabe o que.

Na verdade o brasileiro só precisa de um motivo pra beber, não importa qual. Vamos beber pra comemorar ou beber pra afogar as mágoas. Vamos ver o que o povo de lá vai inventar agora para o povo daqui importar e fazer uma festa abrasileirada.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Senhora no Jardim e Giacometti

No último sábado fiz dois programas culturais que no final se interligaram. Antes visitei novamente a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Está em cartaz a Alberto Giacometti com suas esculturas de homens gigantes e minúsculos. Sempre admirei artistas que fazem esculturas do nada, de rochas, de gesso, de bronze. É do tipo de escultura que ao sairmos da exposição temos vontade de comprar uma argila e tentar repetir o feito em casa. Giacometti fez homens finos e compridos, alguns com alturas de mais de 3 metros, pena que não se é permitido fotos pois gostaria de me fotografar ao lado das esculturas para que quem visse tivesse a noção da altura delas. Deve ser do tamanho de um avatar, do James Cameron. Lembrou-me aquele alienígena do filme “Planeta Vermelho”, aliás, acho que o filme se baseou no Giacometti mesmo pra bolar o alien. Outra referência que lembrei foram os moais, aquelas estátuas feitas por indígenas na Ilha de Páscoa.

Todos os paulistas sabem de como a Praça da Luz é. Aquela região é um oásis em uma região degradada. Existe a Pinacoteca, a Estação Pinacoteca no prédio do antigo Dops, o Museu da Língua portuguesa, a estação da Luz e só. Em torno disso existia a já famosa cracolândia que aparentemente foi desmantelada, não sei confirmar este fato, pois não saí dali e fui ver a peça Senhora do Jardim que para a minha surpresa fala de uma prostituta velha que faz ponto à noite na Praça da Luz e de um ex-presidiário que por lá ronda, coincidência pura.

Deve ser um exemplo de muitas histórias tristes que acontecem com os miseráveis por ai. É aquela mesma história de sempre, a mulher se vê sem condições financeiras e decide vender seu corpo. Mas algumas, devido ao uso de drogas e outros fatores se degradam muito e vivem na mais absoluta nojeira, fazendo programa de R20,00 com homens horríveis. Ao contrário da vida glamorosa da Bruna Surfistinha, essas comem o pão que o diabo amassou e não são mulheres de vida fácil. A personagem até se irrita quando a chamam disto. Ela cuida da neta e faz ponto na praça aceitando qualquer coisa por R$20,00. Ela já está com 60 anos e passa necessidade, sonha com uma aposentadoria e condições mínimas de sobrevivência. Já o cara que aparece na praça é um ex-condenado daqueles que não merecem confiança pois já matou por um motivo fútil. Ele representa outra modalidade de crime que sempre existiu mas que ultimamente tem se tornado muito comum, o crime passional de um cara que é rejeitado pela namorada e decide matá-la, Lindemberg que o diga. É um universo que sabemos existir mas não vemos vivemos ou nos identificamos. Somente com uma lente de aumento nas pessoas vemos que são seres humanos que descambaram para o lado do crime entretanto tem sentimentos como qualquer outro. Foi as condições de vida que o fizeram ter aquele caminho, nada justificável mas compreensível.

Peça: Senhora no Jardim
Gênero: Comedia Dramática
Texto: Maciel Oliveira
Atores: Maciel Oliveira e Natália Amaral
Direção: Fábio Rodrigues
Endereço: Teatro Augusta, Rua Augusta, 943, São Paulo - SP
Em cartaz até o dia 10/06/2012
Dias: Sextas 21h30, Sábados 21h00 e Domingos 19h00
Ingressos: Sextas R$ 40,00, Sábados R$ 50,00 e Domingos R$ 40,00

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Corínthians na Libertadores!

Não pude deixar de escrever sobre o Corinthians na Libertadores! Haja coração, como diria Galvão Bueno. Este time que está disputando o torneio continental não poderia ser mais Corinthians. Ele leva a sério o rótulo do time do povo, o time sofredor, o time raçudo.

Convenhamos que o elenco não é dos melhores. Individualmente não temos um grande jogador que se destaque do grupo. Talvez o Ralf seja o ponto alto, apesar de que não fez grande partida na seleção brasileira quando convocado. A grande força é a doação de cada jogador em prol do time como um todo. O individual é fraco, o grupo é forte e coeso.

O time tem defesa fortíssima. A trinca Chicão, Castan e Ralf fazem do Corinthians uma das melhores defesas do país. O goleiro é uma incógnita. Júlio César foi atacado severamente por causa de suas falhas, mas apesar de tudo é muito esforçado e faz bastante defesas, pena que falha quando não se pode falhar e isto na Libertadores é fatal. Já o novo goleiro Cássio demonstra mais segurança na saída do gol, apesar de cometer lances muito bizarros às vezes, só que diferente do seu reserva, suas falhas não resultam em gols do adversário. Tem sorte.

O maior problema é o ataque. Não temos. O grande jogador do setor fica por conta do Emerson, velocista que leva a bola até o gol, mas não sabe chutar. Deveria passar para o centroavante, que não temos. Liedson, grade jogador que está em péssima fase não está fazendo gols como antigamente. Seus substitutos são ainda piores. Helton, em minha opinião, pode voltar pro Vasco que é o lugar dele. William é um bom jogador, mas ele desempenha função parecida com o Emerson, então disputa posição com ele e não o Liédson. Jorge Henrique também é um bom jogador, mas não é goleador.

Então os jogos são sempre assim, Não somos vazados, mas também não fazemos gols. Tende ao zero a zero e o risco dos pênaltis. No jogo contra o Vasco foi um sofrimento só, que eu já estava esperando por conhecer a alma e a índole do Corinthians. Nasci para sofrer com meu time, mesmo nas vitórias, já me resignei.

Tite também está a cara do Corinthians. Ao ser expulso, foi pras arquibancadas dar instruções aos jogadores do alambrado junto com os torcedores. Quer coisa mais linda que isto. Fiquei imaginando a hora do gol e ele comemorando com os corintianos, coisa que aconteceu logo após isto.

Agora, apesar dos pesares, este time se igualou ao melhor Corinthians que eu já vi jogar, aquela seleção alvinegra de 1999 que chegou à semifinal da Libertadores. Estou confiante mesmo com grandes times pela frente. Este ano é nosso. Vai Corinthians!