sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Teto do dentista

Um conselho que eu sempre deixo quando vou ao dentista. O teto do consultório deve ser impecável. O seu cliente, o paciente, ficará olhando para aquele lugar intensivamente durante meia hora ou uma hora e o analisará aos detalhes. Durante uma consulta não se tem outro lugar para se olhar que não seja pra cima e ainda mais limitado dependendo de que ângulo o dentista escolheu para virar seu rosto. Os olhos precisam de um ponto de referência para se focar enquanto está esperando o serviço na boca e sempre iremos procurar um detalhe onde podemos nos focar.

Minha dentista tem um colar característico do qual eu me valho como ponto de referência para que meu olhar não fique muito perdido, mas ele logo se cansa. No teto tem a luminária, onde vemos todos os mínimos detalhes e só. É terrível não ter para o que olhar. Vejo ínfimas rachaduras que passaria despercebida a uma pessoa normal que estivesse passando pela sala, mas visível para alguém que se concentra a detectar qualquer coisa de diferente. Tem também a pintura mal feita, quando a brocha não chega até o final do teto e início da parede ou próximo da lâmpada onde é preciso cuidado extra para não pintá-la.

Mesmo assim um teto perfeito, todo branco sem nenhum defeito é terrível para o paciente. Num primeiro momento pode passar uma impressão de limpeza e de um lugar bem cuidado. Mas num segundo momento deixa nosso olhar muito vago e o tempo se torna mais demorado. Já aconselhei minha dentista a pregar um quadro no teto para o deleite do paciente. Imagina só uma pintura extremamente detalhista onde podemos analisá-la minuciosamente durante meia hora. Seria o manjar dos deuses pra mim. Não precisa nem ser original, basta um pôster. E ainda gostaria que fosse torçado periodicamente para que tivéssemos a oportunidade de apreciar outras obras.

Quando sugeri isto à minha dentista, ela me respondeu que tem sim planos de colocar algo ao paciente, mas a idéia dela seria uma televisão. Achei péssima a idéia. Neste mundo high-tech, tudo é eletrônico. Já imagino passando Ana Maria Brega ou qualquer programa de variedades sem graça. Claro que agradaria à massa que vive em função da televisão. O quadro ainda seria uma forma de trazer o mínimo de cultura pra este povo desprovido de artes.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Celular

É impressionante como as pessoas não respeitam avisos simples como desligar os celulares antes de apresentações ou eventos onde é necessário a concentração. Cinema, teatro, shows, qualquer coisa, sempre tem avisos no início para que todos desliguem seus aparelhos e até ouvimos algumas pessoas o fazendo devido ao lembrete do narrador, mas muito o ignoram.

Primeiro que em sociedades mais evoluídas esse tipo de aviso seria desnecessário. É como vemos avisos espalhados em lugares públicos avisando a população de jogar o lixo na lixeira, dar descarga depois de usar o sanitário, coisas básicas que todo ser humanos já deveria saber desde criança e que ninguém faz mesmo depois de alertados. São regras de convivência em sociedade, respeito ao cidadão ao lado. Todos querem ser respeitados, mas não praticam a mesma coisa com o companheiro ao lado.

Segundo ponto é a necessidade da pessoa em manter o contato ativo, estar disponível sempre, não se desplugar do universo nem por 2 horas. Muitos usam o celular como relógio e durante a exibição de um filme algum sempre o ligam para saber as horas e isto atrapalha pois estamos concentrados na tela e aquela luzinha acesa sempre atrapalha e nos tira o foco, o certo é fazê-lo discretamente tentando ocultar a luz. Mas isto é tranqüilo perto das pessoas que ficam com os dedinhos escrevendo mensagens durante a exibição. É extremamente irritante e atrapalha os outros ao lado. Custa esperar terminar o filme. Faz-se tanta questão assim, escolha um lugar do lado do corredor e quando precisar escrever uma mensagem, SAIA DA SALA.

Mas o pior dos mundos é quando o fdp atende o maldito telefone. Só o fato de tocar o aparelho já é um desrespeito. Agora, atender e engatar uma conversa é o cúmulo. Fico com uma vontade imensa de pegar meu copo de coca-cola e derramar na cabeça da pessoa ou pegar o celular e atirar para longe. Claro que fui educado o suficiente pra não fazê-lo. Hoje estava numa peça de teatro quando tocou o celular de uma mulher idiota. E na maioria das vezes quando isto acontece o celular está no fundo de uma bolsa cheia de tranqueiras. Então a cretina fica toda esbaforida abrindo sua bolsa e procurando no meio da tralha o maldito telefone. Toda a nossa concentração se volta para a distinta senhora esperando que interrompa o toque do aparelho para voltarmos à peça. E é constrangedor a situação do ator em cena que também fica irritado e com toda a razão. Até fico com um constrangimento alheio por fazer parte de uma platéia que não desliga o celular. Quase peço desculpas ao ator por nós estarmos fazendo isto, quando na verdade a culpa é toda daquela mulher gorda escrota.

Enfim, acho que fui claro o suficiente sobre o que sinto em relação às pessoas que usam os celulares em horas inapropriadas. É como a cena do celular no filme Todo mundo em pânico. Eu seria uma daquelas pessoas do cinema. Não se lembra da cena. Veja abaixo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O perigo do Mazembe

Timão no mundial ocupa todos os jornais e televisões atualmente. É o centro das atenções, até demais pra mim e olha que eu sou corintiano. Só se fala do Chelsea e do grande confronto, começa a dar certo medo de o Corinthians perder o primeiro jogo e nem ir para a final. Vai ser uma humilhação se perder para o Al Ahli, talvez comparado ao grande Tolima, enfim, coisas do futebol.

A expectativa do jogo está tão grande que ontem sonhei com a partida. No sonho eu estava assistindo na rua, num telão colocado em um grande espaço com vários torcedores juntos como se fosse jogo de copa. Aliás, toda a cidade estava parada apenas olhando para a partida em diversos bares da cidade e em suas casas. As ruas estavam desertas e havia concentração de gente na frente e dentro desses estabelecimentos com televisões transmitindo o jogo. O Corinthians estava tendo uma partida dura contra o adversário, mas era aquele jogo truncado, com muita marcação e poucas chances de gol, onde os times priorizam mais a marcação e a defesa com medo de levar um gol e quebrar o esquema de jogo.

Até ai parece verídico. Não duvido nada que o início do jogo seja assim mesmo. O Tite cansou de armar os esquemas do Corinthians assim e ainda mais num jogo tão importante como este. O primeiro tempo acaba. Eu resolvo sair do meu lugar pra comprar uma cerveja num boteco, mas tenho que me deslocar muito do local não sei por qual motivo. Talvez os bares próximos cobrassem a entrada ou estavam muito cheios. Só sei que fui longe e demorei em voltar.

Na caminhada de volta percebi que o jogo já tinha voltado e ainda faltava muito pra chegar à praça onde estava o telão. Apressei o passo apreensivo por estar perdendo grandes momentos. Na vida real sempre que eu resolvo sair no meio do jogo pra pegar alguma coisa na cozinha ou ir ao banheiro, acontece o gol durante minha ausência, é uma praga, sempre perco o gol e tenho que assistir ao replay. Quando estava chegando à praça pensei sobre esta minha sina de não ver o gol. Quando cheguei ao destino, olhei imediatamente para o telão e percebi que já tinha passado 19 minutos do segundo tempo e para o meu espanto e horror já estava um a zero para o Al Ahli. Amaldiçoei meu azar e deu aquele aperto no coração sabendo que o Corinthians teria que abrir seu jogo e correr atrás do resultado nos últimos 25 minutos de jogo.

Não duvido nada que este sonho se torne realidade. O Corinthians cansa de nos fazer sofrer, já estou acostumado, mas felizmente tem se saído vencedor e campeão. Mesmo que ganhe o jogo, espero que não seja tão dramático como sonhei, senão meu coração não agüenta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Estrela-Demônio

Mesmo quando criança, quando gostava de astronomia, eu achava curioso quando meu professor de ciências citava Deus nas aulas. Pois como todos nós sabemos, ciências e religião são formas de pensamento distintas, uma é racional e a outra teológica. Naquela época eu já me identificava como pertencente ao grupo dos racionais, coisa que sou até hoje, mas não tenho tanta certeza assim da separação dos dois conceitos. Sim, eles se divergem e quem opiniões totalmente diferentes em alguns pontos. Mas em outras áreas eles se complementam. Meu professor, ao descrever o funcionamento das células ou dos planetas e estrelas ele sempre dizia que Deus era muito criativo e mostrava a quantidade de detalhes diferentes e fantásticos que havia no Universo. Sempre foi minha aula preferida na escola.

Li um artigo recentemente sobre ALGOL, conhecida como a estrela-demônio. Em 1667 o astrônomo Geminiano Montanari observou que a estrela mudava de brilho. Mais de 100 anos depois outro astrônomo sugeriu que essa mudança de brilho poderia ser de algum astro passando na frente da estrela como um eclipse, logo depois confirmada. Então em 1881 descobriu-se que se tratava de 2 estrelas a orbitarem entre si, e não uma apenas, formando-se um sistema binário: Argol A e Argol B. Hoje em dia sabemos que existe uma terceira estrela, a Argol C, que orbita essas duas, por isso tanta mudança de brilho vista de longe.

Cada vez que ampliamos nosso conhecimento, mais sabemos que não sabemos nada. Antes o que era apenas um ponto no céu, uma estrela, se tornou quase em um sistema de estrelas orbitando entre si, coisa que a maioria das pessoas não conhece por estarem presas à idéia do sistema solar de uma estrela e vários planetas a orbitando.

Outra coisa interessante é que a observação e o estudo de Argol remetem há 3.000 anos pelos egípcios, que já haviam reparado nesta mudança de brilho. Fico impressionado com a habilidade e o conhecimento de civilizações antigas como o Egito e a China que tinham instrumentos rústicos e com quase nenhuma tecnologia e sabiam tanto quanto nós a respeito do Universo. Por essas e outras que acho plenamente razoável as suposições do livro “Eram os Deuses Astronautas”, onde eles acreditam que já fomos visitados por seres alienígenas que nos instruíram a respeito e novas tecnologias vindas de fora e que, naquela época, pensávamos que era presente dos Deuses.

Sabemos que o ser humano, desde a época das cavernas, existe há 200 mil anos. Mas devido à deterioração que o mundo sofre só temos registros da nossa civilização até, no máximo, 4.000 anos atrás no Egito. O que aconteceu nessas 196 mil anos? Neste livro também vem outra teoria, que existia outra civilização antes da nossa datada de 15 a 20 mil anos antes de Cristo que tinha alto grau de conhecimento e desenvolvimento. Alcançaram um progresso ainda maior que o nosso, mas de sumiu por razão ainda desconhecida. Logo o estudo de astros pode ser ainda mais antigo, vai saber.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

No caminho das Índias

Hoje eu viajei à Índia nos meus sonhos. Tinha todas aquelas coisas que vi na exposição do Banco do Brasil há alguns meses atrás. Eu tinha rúpias e reais e me lembro que pagava com os dois dinheiros dependendo da situação. Até parece que eles aceitariam reais. Lembro-me que as coisas eram muito baratas. Eu tinha uma boa quantidade de dinheiro nos bolsos e quando pegava para pagar algo, usava apenas uma pequena fração do que tinha.

Mas uma parte que ficou gravada na minha memória do sonho foi inspirada em um fato que ocorreu na minha vida real. Recentemente tive o celular roubado em um show em São Paulo, modo gatuno onde o cara tirou do meu bolso sem eu nem reparar. Coisa de gente profissional mesmo. Até hoje não sei como, mas agora tenho várias idéias de como poderia ter evitado. Enfim, no meu sonho eu tinha parado pra comprar comida em um estabelecimento e a fila era do lado de fora. Estava com alguns amigos e conhecidos, tanto indianos quanto brasileiros turistas em excursão. Enquanto aguardava na fila, senti um leve movimento das minhas costas e rapidamente levei minha mão para minha carteira no bolso de trás para me certificar que não estava sendo roubado. E estava. O bandido já estava com meia carteira pra fora e quando eu a segurei, ele soltou e foi embora calmamente. Fiquei assustado pela facilidade que ele estava me roubando e pela tranqüilidade em que todos a sua volta se comportaram.

Neste momento chegou minha comida no balcão e eu peguei o dinheiro para pagar. Os funcionários estavam mal preparados e se confundiram todos. Estavam resolvendo algum problema dentro do lugar e minha comida ficou no balcão. Eu fiquei esperando que eles resolvessem logo e viessem cobrar minha comida e nada de voltarem. Eu pedi um simples PF, arroz, feijão, salada e estava esfriando. Então separei o dinheiro, pus no balcão e fiquei chamando um funcionário pra registrar meu pagamento. Neste momento uma mulher da fila, que na vida real é uma funcionária do meu serviço, ficou reclamando que ela tinha feito outro pedido e não havia sido atendida ainda. Eu me virei pra vê-la. Quando voltei meu olhar alguém estava pegando aquele dinheiro que eu usaria pra pagar a comida. Essa pessoa deixou cair tudo e quando vi era o amigo indiano que estava comigo. Ele confessou o crime e eu pedi que me devolvesse tudo o que havia PE furtado. Ele devolveu, além desse dinheiro, outras coisas que já havia safanado como documentos, dinheiros em real, cartões de telefone aqui do Brasil, etc. Fiquei horrorizado, pois o perigo estava em qualquer lugar até na pessoa ao lado que parecia sua amiga.

Depois que voltei ao hotel em que estava instalado, pensei em guardar meus valores melhor, pois desconfiei até dos funcionários de lá. Uma hóspede que estava passando no corredor me alertou que era necessário este cuidado que teria mesmo e que os funcionários costumavam entrar nos quartos e roubar. Eu separei meu dinheiro em partes e escondi-os em cada parte do quarto, pensando que se encontrassem um, o outro estava salvo. É terrível estar com este medo do roubo em toda parte. Não ter segurança nem na sua própria casa, onde se dorme, no caso o hotel.

Neste ponto o sonho começou a se desenvolver para outro caminho, para outro dos meus medos: a gula. No sonho eu tinha que voltar para algum lugar, parecia minha escola do primeiro grau/ensino fundamental, e antes estava com uma vontade danada de comprar uma bolacha de doce de leite. Fui correndo a um mercadinho comprá-la, mas estava atrasado. O lugar estava muito bagunçado. Achei, comprei e voltei correndo para entrar na sala de aula que já havia começado. É o que acontece comigo todo dia na vida real durante meu horário de almoço no trampo. Hoje parecia que eu estava enfrentando meus medos à noite ao invés de descansar.